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Lembranças e Promessas de um Futuro Melhor



Por: Fada Azul

Sentia um frio enlouquecedor enquanto caminhava entre as ruas da cidade. No meu estômago, desde cedo, apenas um pedaço de pão que ganhara do padeiro da esquina. Homem bom, que eventualmente me ajudava com um prato de comida.

Não sabia onde "repousaria". Carregava em minhas costas a cama improvisada: Um pedaço de papelão. Ao meu lado, um cachorro que me adotara como "sua dona". Ele era fiel e amigo, diferente de grande parte dos seres humanos que conheci ao longo da vida.

Tive três filhos que foram retirados de meus braços ainda pequenos. Carrego a recordação de cada um nas cicatrizes do meu corpo e nas feridas da minha alma. Não tenho foto deles, mas lembro-me claramente do olhar de cada um. Os olhos vivos amendoados, as perninhas grossas, as mãozinhas pequenas agarrando meus dedos, o corpinho indefeso. Choro toda noite, mas sei que foi o melhor. Esta não é vida para eles. Esta não é vida para ninguém.

Pessoas durante todo o dia passam apressadas por mim em seus aparelhos tecnológicos. Alguns chegam a tropeçar em meu corpo estendido na calçada, outros olham na minha direção, e não me enxergam. Já me acostumei a ser só. Invisível aos olhos alheios. Carrego comigo apenas meus pensamentos, minhas lembranças, meus sonhos não concretizados. Meu passado. Como a vida pode mudar tão depressa em um acaso do destino? Me apego às lembranças, a época em que eu era alguém.

Acelero o passo até encontrar um local seco e um pouco iluminado. As ruas são perigosas, mas já sou "velha de guerra". Aprendi a lutar pela sobrevivência sozinha.

Me deito e fecho os olhos. Meu corpo assume uma posição fetal enquanto meus braços unem-se ao corpo. O pensamento começa a voar distante, formando de imagens abstratas a bonitas figuras. São olhares e sorrisos, um abraço do meu pai, em um moletom azul. Rodopio sorridente com meu vestidinho vermelho. Em meus cabelos mamãe providenciou um par de laços da mesma cor, era um dia especial... Meu aniversário!

Já não sentia mais o frio de outrora, e em meus lábios começou a curvar-se um pequeno sorriso. Eram lembranças, promessas quem sabe, de um futuro melhor.

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